quarta-feira, 31 de janeiro de 2007


Vou agora falar de um assunto que a todos nós, ex-alunos, diz respeito e tem a ver com o acompanhamento da vida colegial depois de sairmos do colégio.No inicio todos pretendemos continuar muito próximos do nosso colégio, neste primeiro periodo verificamos que de facto ja não somos alunos e por vezes, certamente que ja aconteceu a todos até parece que já não somos bem-vindos naquela que foi a nossa casa durante 8 anos. Depois começamos a estudar, todos sabemos como esta vida de estudante nos deixa pouco tempo livre, mais tarde o primeiro emprego e por aí adiante.Contudo, dizem os mais velhos que mais tarde apercebem-se que sentem novamente a necessidade de regressar à casa mãe, nem que seja só para passar em frente ao edifício dos claustros e reviver todos as memórias que ainda perduram...
Actualmente, há por parte da direcção do Colégio uma certa abertura da vida interna aos ex-alunos e verifica-se que nestes dias em que o colégio está "aberto" aos ex-alunos, a nossa participação está muito abaixo da expectativa. Falo concretamente do Corta-Mato do Natal, que a todos nós traz certamente boas recordações, quanto mais não seja por se realizar depois da noite das pinturas e no último dia do primeiro período.
Todos temos uma vida muito ocupada e no pouco tempo livre que temos há muita coisa para fazer, noentanto podemos fazer um acompanhameto mais estreito da casa que nos criou. Não é preciso muito, muitas vezes basta ter dois dedos de conversa com o nosso sucessor para sabermos muito do que se passa dentro dos muros colegiais.
A fotografia que encabeça este post foi tirada no corta-mato do natal onde posaram para a fotografia os (poucos) ex-alunos presentes...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007





Para começar esta nova faceta deste blog começo com um extraordinário poema do Ayala, que apesar de jovem tem já uma extraordinária capacidade de escrever,ainda por cima em verso, e de transmitir o seu sentimento, do qual comungo completamente, pelo Colégio.











Colégio Militar, grande colégio,
Viver em ti é amar-te,
É somente um privilégio,
Não consigo pensar em deixar-te!

Nasceste de um sonho,
Agora és bem real,
Minha dedicação em ti ponho,
Para que sirvas Portugal

Em ti deixámos nossos corações,
Mas em tudo resto Tu permaneces,
Não Te deixaremos partir,
Pois é isso que mereces!

Ergue a Tua cúpula até aos céus,
Que a Tua chama jamais se apague,
Desenrola-Te dos véus,
Ninguém alguma vez fará com que este Espírito se acabe!

Tão bem nos ensináste,
Assim permanecemos até à Morte,
A Ti fiéis,
És nosso, é a nossa grande Sorte!

Tudo Lhe devemos,
Temos isso em conta,
Viverá eternamente,
Pois para tal fim foi criado,
Destruí-Lo é uma afronta!
Será por todos relembrado,
Imortal!
Obrigado Colégio!


Com a devida vénia, continua a escrever...
Grande abraço Ayala

A Mudança

Este é um dia de viragem neste blog. Sem deixar de continuar com a preocupação de relatar aspectos relacionados com a equitação em geral e com a equitação militar mais em concreto, vou começar a escrever e a colocar no blog assuntos relacionados com o Colégio Militar. Em tempos de profundas revoluções silenciosas, é mais do que justo juntar a minha voz às muitas que se têem levantado na defesa do nosso colégio. Sei que o próposito não é facil mas se puder contribuir com o meu esforço e juntar-me aos muitos que já lutam por aquilo em que acreditam, nao darei o meu esforço por perdido. Assim poderam contar com novos post sobre tão nobre e gloriosa casa à qual devo a minha formação como Homem.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Mareclausum 5 - Cadete 0

Pois é, passadas que estão as férias lá voltamos nós à nossa vida de cadete, à espera que passem os dias que restam...
Mas falemos da vida equestre do cadete, o mês de Janeiro é sempre muito dificil, com muitos trabalhos e testes para fazer, com os treinos para a cerimónia do Dia da Academia, a isto tudo temos que juntar a preparação para a Quinquagésima primeira Semana Equestre Militar.
Para começar tivemos uma ligeira aula de 45' na qual montei o Mareclausum e praticámos essencialmente a posição para saltar a cavalo. A aula foi dada pelo Cap. Marques e posso dizer que a montada não se portou nada mal...O fim de semana passou, chegou a segunda-feira e com ela as nossas duas aulas de equitação. Todos sabiamos que a aula ia ser de obstáculos pelo que a escolha dos solípedes foi muito criteriosa, a mim restou-me o...........Mareclausum.
É verdade, é o que acontece a quem anda simplesmente a chonar, a minha parelha montou o Mazantini, o little old boy montou o ,o major do curso escolheu a Opiniosa, o Penico montou o Janota e o Ribeiro montou a Jandaia, embora nao tivesse muita vontade para tal (duas seguidas naquela, é demais).
Passemos a aula propiamente dita. O início nao foi fácil, primeiro o arreio tinha um loro ao contrário e depois de pedir a um tratador ainda ficou pior.
Depois foi o melhor, as cruzinhas ainda as fez mas a coisa complicou-se com os saltos "verdadeiros". Depois de anos a apurar a técnica o Mareclausum tem o método perfeito para por o cadete no chão e, quando nos pensamos que se está a colocar, tumba cadete no chão.
E foi assim, mais uma aula em que dei um passo significativo para ser um cavaleiro com letra mauiúscula.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Crime e Castigo...

Um chicote (ou stick) pode ser uma peça essencial quando o seu cavalo se porta mal, mas será que é realmente necessário? Um pouco de empatia pode ajudá-lo a conseguir um relacionamento muito mais harmonioso.

O cenário é muito vulgar. O seu cavalo parece óptimo quando o comprou, mas agora parece ter adquirido umas atitudes realmente desagradáveis. O seu instrutor diz-lhe uma coisa, os seus amigos outra. Você seguiu conselhos e leu livros, mas o cavalo ainda não se mostra como você deseja.

Neste caso, qual é a melhor forma de ultrapassar os contratempos e desilusões para conseguir atingir o que você quer com o seu cavalo?

A reacção habitual é pensar-se que se passa algo de errado com o cavalo e chamar o veterinário para o estudar pormenorizadamente. O veterinário não encontra nada de mal mas o proprietário sente que existe algo que não está bem e não sabe o que fazer a seguir.

Assim sendo, enquanto você peneira os conselhos, muitas vezes conflituosos, lembra-se de que há o ‘certo’ e ‘errado’ no que diz respeito a treinar e voltar a treinar cavalos. No entanto é frequente só ser necessário um pouco de bom senso e empatia, e a seguir estas simples dicas de base.

CENOURA OU STICK?

Tal como nós, os cavalos vivem de acordo com as regras da teoria prazer/dor, ou da teoria de pressão/cedência. Esta pressão pode ser física, emocional ou mental.

Basicamente existem duas formas para ensinar um cavalo, uma baseia-se em castigar o que está errado e a outra em premiar o que está certo. Ambas funcionam como métodos de treino, mas o castigo não é ético. A preferência reside em premiar o bom comportamento.

A recompensa pode fazer-se de várias formas, desde a festa ou cenouras que associamos a bem fazer, até à companhia de outros cavalos, à cedência, ao aliviar do peso do cavaleiro, ao retorno a um exercício menos exigente – tudo o que na realidade permita que o cavalo fique numa situação mais confortável.

Para um animal tão sociável como o cavalo a recompensa também pode ser dar-lhe atenção de qualquer modo e ignorar qualquer comportamento menos ortodoxo. Acreditem ou não, gritar a um cavalo que está a dar pontapés à porta da boxe pode ser exactamente o que ele procura.

AGIR NA ALTURA CERTA

O importante não é só o que se faz mas quando se faz, se queremos que o cavalo perceba.
Para que o castigo surta efeito este deve ser dado dentro de meio segundo para que o cavalo o associe ao que fez de errado.

A recompensa pode limitar-se a uma cedência ou a uma palavra de elogio que podem ser ministradas instantaneamente mesmo em momentos cruciais.

MEDO, INCOMPREENSÃO OU DESOBEDIÊNCIA?

É essencial entrarmos na mente do cavalo e sermos rápidos a decidir qual dos problemas em título provocou o comportamento indesejável, uma vez que compete ao cavaleiro perceber qual é a causa do incidente.

Existem sinais que podem funcionar como um barómetro diário no que se relaciona com a forma em que o cavalo se sente e um cavaleiro inteligente deve ser capaz de o utilizar para tirar o máximo partido. As orelhas do cavalo dizem-nos onde se centra a sua atenção. Procure essencialmente se uma orelha se volta para si quando aplica um a ajuda ou se emite uma outra ordem e verifique quanto tempo passa entre o movimento da orelha e a execução do comando.

Veja se o cavalo tem o beiço inferior relaxado, as narinas arredondas e solta e a sua cauda relaxada. Quando existe tensão em qualquer uma destas zonas as hormonas associadas à fuga são libertadas fazendo com que o cavalo não esteja fisiologicamente apto a trabalhar bem.

Generalizando, se o cavalo apresenta todos os sintomas de estar descontraído quando se porta mal, fazendo várias apenas antes de fazer algo de errado, é provável que esteja a ser desobediente.

Se o mau comportamento surge repentinamente, acompanhado por sinais de tensão tais como narinas apertas, a cauda metida para debaixo e o queixo tenso, então é mais provável que a causa seja medo ou dor. O cavaleiro pode não ser capaz de ver estes sinais, especialmente se está a concentrar-se em se manter a cavalo. Por esse motivo é aconselhável pedir a alguém que o observe, ou esteja atento quando está a trabalhar o cavalo no solo. Medite sobre o que o cavalo está a tentar dizer-lhe. Tente de novo, talvez um método diferente – faça tudo menos perder a cabeça!

Alguns cavalos levam semanas e até meses a responder a ensinamentos positivos.

ENTÃO QUANTO BASTA?

É frequente utilizarmos uma determinada técnica para manter sem conseguir a atenção do cavalo, ou ele desvia a tenção obrigando-nos a reforçar a pressão para o prender de novo. Você pode ter que aumentar um pouco a pressão, mas evite a todo o custo ultrapassar o ponto em que o cavalo começa a negar-se a colaborar.

Se a pressão aumenta exageradamente o cavalo pode aumentar o comportamento indesejado. Ao retrocedermos um pouco, é mais fácil voltar à mesma página ou ao mesmo livro e começar de novo a partir daí. Lembre-se que para o cavalo a ausência de prazer significa a dor. Você não tem que utilizar métodos mais brutais a menos que tenha resolvido torná-los a sua marca pessoal...

Para resolver problemas é necessário que você se imponha mas a agressão pode ter como resposta a reacção errada. No mundo dos cavalos os ´chefes´ não são mandões – em situações de manada existem dois tipos de chefes: o alpha que manda por dominar o passivo que manda por dar o exemplo.

Os chefes passivos são habitualmente escolhidos por outros membros da manada sendo seguidos por vontade própria, enquanto que os alphas utilizam a força para afirmarem o seu lugar. É provável que você consiga localizar alguns paralelos no mundo cavalo, mas tente assegurar-se de que você não é um alpha!

Os chefes passivos são calmos e consistentes no seu comportamento diário não parecendo ter a necessidade de se afirmarem continuamente para manterem a sua posição na manada. Os alphas, pelo contrário, são habitualmente muito prepotentes, utilizando por vezes ataques não provocados sobre os seus subordinados unicamente para mostrarem o seu domínio. Daí resulta o afastamento da maioria da manda que evitam o contacto com o alpha porque os cavalos têm inata a necessidade de evitar o dispêndio de energia para as suas actividades diárias para o caso de terem mesmo de correr para salvar as suas vidas. Ao seguirem um «leader» passivo – que os obriga ao menor dispêndio de energia possível – os cavalos ajudam a assegurar a sua sobrevivência.

Se alguém que treina o seu cavalo faz algo de que discorde, intervenha antes que o treino do seu cavalo retroceda. Não tenha receio de dar a cara pelo seu cavalo!

Retirado de Equisport.pt

sábado, 2 de dezembro de 2006

Ao Sr. Mário


Meus caros, este post pouco ou nada tem a ver com cavalos ou tão pouco com o mundo equestre. Recebi hoje a notícia de que o Sr.Mário falceu. O Mário era alguém que há já alguns anos trabalhava no Colégio, mais concretamente na portaria, e que desde cedo ficou embevecido pelo espírito colegial. Por trabalhar na portaria, desempenhava uma função de charneira entre o mundo exterior e o interior do Colégio. Sempre desponível para ajudar, tanto os pais como os alunos, muito divertido e sempre com uma palavra de ânimo para todos, era este o Mário a que todos já estavamos habituados. Havia já quem comparasse ao famoso Cabo 20,também conhecido pela sua ajuda à familia colegial, com a devida vénia ao comparado. A minha relação com o Mário ia um pouco mais para além das fronteiras colegiais, sempre que nos cruzavamos era enivitável que um de nós falasse em futebol. Ele, ferrenho sportinguista, tinha sempre pronta a sair uma piada sobre o Benfica à qual eu tentava reponder o melhor que podia.
Mário, ficarás para sempre no coração deste grande família...

A primeira ida ao esquadrão

Às quartas-feiras o pessoal do 3º e 4º anos dos cursos de GNR\cav vão montar ao 4º Esquadrão, na Ajuda. Depois de longas semanas sempre com as mais diversas actividades à quarta, foi no dia 22 de Outubro que lá fomos pela primeira vez este ano.
Todos estavamos a espera das mais variadas peripécias, desde o "os cavalos que aparelharam os cadetes da Academia" aos "militares que aparelharam os cadetes dos cavalos da Academia", no ano passado houve de tudo e quem lá foi conhece bem estas peripécias. Mas deste vez foi diferente, não houve a grande pergunta "Mas vocês hoje veêm?" também proferida nas mais variadas maneiras. Pelo contrário, até tivemos direito a recepção e também a uma aula dada pelo nosso Tenente Caeiro, que já não estavamos habituados, até tivemos direito apear com mortal...
Agora mais a sério, as aulas no esquadrão, para além de serem mais uma opurtunidade para estarmos em contacto com a instituição para a qual estamos a ser formados, são também uma oportunidade alargamos os nossos conhecimentos equestres. Com aqueles condições, desde a música ambiente a um tipo de aulas bem diferentes das que temos na academia, estão reunidas condições que qualquer homem de cavalos gotava de ter, e muitos de nós não está a aproveitar...
No que diz respeito à aula propriamente dita, marcaram presença o Samouqueiro, que proporcionou grandes gargalhadas ao instrutor, o Ribeiro, o Ferreira e eu próprio. Fizemos trabalho de picadeiro com estribos muito muito compridos, que proporcionaram dificulades extra pelo facto de não estarmos habitudos. Eu montei o cavalo nº27, que me proporcionou um prazer imenso. Na verdade posso dizer que há já algum tempo não me sentia tão bem a cavalo, mesmo com o Tenente a avisar-me constantemente para baixar o calcanhar...
Por agora é tudo,na esperança que estas aulas continuem com a regularidade desejada por todos e com a qualidade exigível...