Li este artigo no blog do Galvão e não pude deixar de o publicar neste blog, cuidado com a carga emocional que provoca...Um Grande abraço ao autor e votos de que continue a amar desta forma tão intensa o nosso Colégio.
«O “3 de Março”, ou o aniversário do Colégio Militar, é mais do que uma Cerimónia, é mais do que uma Tradição…
É quando mostramos a uma imensidão de pessoas, a um mar de gente, o que é esta Casa, que Amamos, não só da boca para fora, mas sobretudo nos pequenos e nos grandes pormenores, como é o caso deste grandioso dia, de tão memorável ocasião!
E pode haver quem diga, porque os há certamente: “coitados dos meninos, ali todos os dias cansados após as aulas, e ainda têm de estar com o peso das armas ao ombro?”
Pois de coitados não temos nós nada! Somos sortudos, felizardos, enfim, uns verdadeiros privilegiados, por tão grande oportunidade, que tão poucos foram os que até hoje a tiveram.
Estar à frente de tantos a cantar o Hino deste nosso Portugal, ou a marchar ao lado dos nossos irmãos de sempre, esses que nos acompanham e que nos transmitem a força que precisamos dia-a-dia.
No Colégio, após as aulas, não temos os pais para nos esclarecerem as dúvidas nos trabalhos, nem os computadores ou as consolas para descontrair um pouco, mas temos, isso sim, algo de muito diferente, temos o conselho daqueles que durante o ano acabam por ser quase como os nossos pais, os graduados, a ajuda deles e do nosso Curso!
Por isso são eles tão especiais. Porque durante os nossos 8 anos de vivência no Colégio dormem, vivem, choram e riem connosco, ao meu e ao nosso lado! Nada pode ser mais gratificante do que marchar com eles, nem que seja só como modesto agradecimento.
Há alguém que nunca tenha ouvido o Batalhão a cantar o Hino Nacional nos Claustros? É algo mágico… dá um arrepio na espinha, é um fenómeno raro neste país! É simplesmente único.
E é tudo isto que marca a diferença, é isto que faz de nós uma Elite!
Impossível é descrever o Orgulho que sentimos através de palavras, mais do que uma recompensa para todas aquelas horas de treino, todo aquele suor derramado! Obrigado Curso, obrigado Colégio.
Por todos um sentido grito de Zacatraz!»
450/2003 Bernardo Brochado
Artigo a ser publicado n' O ZIMBÓRIO, Edição Março 07
quarta-feira, 14 de março de 2007
Colaboração especial
Por solicitação especial da minha parelha, coube-me a mim desta vez escrever umas breves palavras neste espaço tão prestigiado e de elevado bom gosto.
Uma vez que não me foi solicitado que tratasse nenhum tema em especial, e uma vez que não possuo elevados conhecimentos técnicos, grande experiência ou uma vasta cultura equestre, decidi debruçar-me sobre um aspecto genérico sobre o qual reflecti e que considero ser merecedor de reflexão…
Comecei a montar à relativamente pouco tempo, 4 anos apenas, no entanto a minha paixão pelos cavalos já remonta aos tempos da minha infância. Não creio possuir grandes conhecimentos nesta área, nem tão pouco sou tecnicamente evoluído ou coisa que se pareça. Não sou especialmente dotado, e sei que ainda tenho muito que aprender de forma a progredir nesta arte, sim porque para mim a equitação é uma arte e não um desporto, mas isso é outro assunto. No entanto, a paixão que me liga ao mundo dos cavalos sobrepõem-se a todas essas lacunas e permite que dia após dia, desenvolva as minhas humildes capacidades e os meus modestos conhecimentos para que talvez um dia possa chegar a níveis que hoje posso apenas sonhar.
Creio que hoje em dia a equitação está a ser, de alguma forma, “mal tratada”.
Vou-me reportar apenas à equitação desportiva, porque se considerarmos como equitação todo o acto de montar a cavalo, então o problema ainda ganha uma dimensão maior.
Na minha opinião, pratica-se hoje em dia, dois tipos distintos de equitação: uma primeira em que o esforço da prática da modalidade é orientado para o desenvolvimento do conjunto cavalo/cavaleiro, dando primazia ao desenvolvimento de uma harmonia e uma ligação perfeita entre o conjunto, de forma a atingir determinados objectivos à custa de muito trabalho, esforço, dedicação, mas sobretudo um sentimento de prazer e cumplicidade que nasce de uma amizade entre o homem e o animal, e uma outra em que o esforço é apenas orientado para a consumação de objectivos.
Embora cada um seja livre de fazer a sua opção, não creio que na equitação os resultados sejam tudo. Há quem tenha possibilidades de gastar alguns milhares de euros num puro-sangue qualquer de boas linhagens e com ele obter alguns bons resultados sem que no entanto possamos olhar para ele e apontá-lo como uma referência. Estes preferem obter bons resultados a qualquer custo, nem que para isso tenham de “se desfazer” do cavalo que montam à vários anos para trocá-lo por outro que dá mais garantias, sem no entanto dedicarem a qualquer um deles o mínimo de trabalho ou dedicação com vista a desenvolverem o mesmo. Vêem a sua montada como um objecto, um meio para atingir certos fins e quando esta não os satisfaz substituem-na simplesmente. Os seus resultados são obtidos não à custa da sua técnica, ou do trabalho, mas essencialmente graças às capacidades do cavalo.
Uma vez disseram-me que num conjunto, 70% é do cavalo e 30% do cavaleiro. Ora para estes cavaleiros é muito simples: basta que os 70% do cavalo sejam simplesmente suficientemente bons para compensar os 30% que o cavaleiro não pode dar.
Por outro lado, há cavaleiros que assim não encaram a modalidade, sendo que não põem como prioridade os resultados, mas sim o desenvolvimento e a harmonia do conjunto. Estabelecem para tal uma espécie de cumplicidade que une o conjunto e os torna tanto mais fortes quanto mais forte é essa união. Trata-se de uma espécie de sinergia, em que o resultado do conjunto é superior à soma das partes. Estes cavaleiros, têm por seu lado a tarefa mais complicada, uma vez que, tendo em conta o exemplo anterior, e sendo os seus cavalos de “categoria inferior” por assim dizer, em relação a certos puros sangue de boas linhagens, os 70% dos seus cavalos poderão considerar-se inferiores aos desses cavalos de grande categoria, sendo que para equilibrar os pratos da balança, têm de fazer uso dos seus 30% em que podem influenciar o conjunto para conseguir competir contra os outros.
Na minha opinião, estas percentagens podem ser vistas como uma referência, no entanto eu tenho uma opinião muito própria: ainda que do conjunto, 70% seja do cavalo e 30% ao cavaleiro, cabe ao cavaleiro fazer com que os seus 30% se sobreponham aos 70% do cavalo, de forma a que o conjunto não esteja dependente daquele que faz o maior esforço por assim dizer, que é o cavalo, mas sim daquele que é responsável por toda a direcção, a condução e o controlo e fundamentalmente o desenvolvimento e harmonia do conjunto que é o cavaleiro. Afinal de contas, ainda que seja o cavalo o elemento mais forte, o elemento racional é, ou deveria ser, o cavaleiro. Este o “cérebro” do conjunto, e o cavalo o coração.
Mas isto são apenas ideias de alguém que tem ainda muito para aprender e muito trabalho pela frente até chegar a algum lado…
Até lá fico-me pelas ideias e reflexões, talvez possa aprender com elas…
Abraços e boas montadas…
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